Cópia barata
Tua garganta e um grito silencioso
As minhas mãos já não podem te calar
Sofrimento escorre por meus dedos
Que tentaram te conter e estão manchados
Não há palavras, mas esse grito falou
Falou agressiva e suavemente:
Sou uma cópia barata
Donde não se reconhecem mais os traços
Donde irregularmente há rabiscos
Minhas cores cintilantes já não enganam mais
Meus olhos enganosamente sempre abertos,
Não viam, não seguiam você onde fosse
Estavam, na verdade, sempre fechados
Ergui tua dor como um troféu
Escalei o pico da frieza para pendurá-lo
Teu grito derrubou-me de lá
E teus dedos, que acariciavam a boneca morta,
Rasgaram o meu papel furiosamente
Então, a cópia barata está em pedaços
Pedaços esmiuçados e irreuníveis
Linhas desfeitas, traços invisíveis
Cores perdidas, apagadas e escorridas
O silêncio foi quebrado e os dados lançados
O jogo destruiu a cópia barata

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