Não consigo parar. Involuntariamente, essa mensagem quase subliminar me drena a mente. Se apossou do mais profundo, do mais íntimo. Não! Não pense, não pense, não pene, não pese, não! Voltei a pensar. Sugestão visual, sonora, que gera verbos imperativos cada vez mais apelativos. Compulsão desmedida. E volto involuntariamente a não mais pensar. Pensar?Que é? Não lembro.Tudo aquilo que tentei esquecer que, agora, é tudo que consigo me lembrar. Pague e leve, compre e adquira, leve já! Você precisa! Sim, sim. Eles sabem o que eu preciso agora. Eles produzem o que o meu desejo ainda não inventou. Tudo em números. Tudo em zeros e uns. Você nem nasceu, mas já deve saber contar em binário. Eu tenho um código de barra. Tenho números, e eles são intransferíveis. Eles são só meus! Mas quem sou eu? Quer dizer, a qual dos números você se refere? Ahh... Agora, não importa. Tenho um cartão de crédito e eles devem saber quem eu sou. Afinal, tenho um cartão de crédito. Cifras que pairam turvando a sua visão e não deixam que você enxergue quem sou eu, se sou eu ou se sou. Pago, levo, compro e adquiro, levo já! Eu preciso! Vocês sabem o que eu preciso agora. Vocês inventaram o meu desejo. Sou números. Zeros e uns. Claro! Óbvio que sei contar em binário.
domingo, 26 de outubro de 2008
Postado por Munny Shot às 12:27
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